por: IDGNow
Na década de 1980, a humanidade rezava para não ser dizimada por uma guerra nuclear entre os então inimigos Estados Unidos e União Soviética, e a criançada passava as tardes nos Ataris neutralizando ataques soviéticos com o “Missile Command”. Até agora temos sido bem sucedidos em evitar o pior, mas no universo virtual o mal já foi feito: o contador de mortes do game “Call of Duty: Black Ops”, da Activision, ultrapassou no sábado a marca de 6,9 bilhões – ou seja, toda a população da Terra.

Apesar do número absurdo de baixas, o mundo de “Call of Duty: Black Ops” – que, lembramos, foi lançado há apenas três semanas, em 9/11 – não se transformou em terra devastada. Os soldados do game online continuam vivos e atirando. Parafraseando Mark Twain, parece que as notícias sobre todas essas mortes foram um pouco exageradas…
Segundo a Activision, mais de 138 bilhões de tiros foram disparados, uma média de 20 por “fatalidade”. A precisão das estatísticas da Activision é tão grande que é possível saber quantos foram despachados com um único tiro (561 milhões) e quantos, na condição de feridos, foram simplesmente executados (51 milhões). Mais de 65 milhões de mortes – número equivalente à soma da população dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo – ocorreram por causa de erros dos jogadores.
Como as médias nunca contam a história toda, é preciso lembrar que uns apelaram para o efeito devastador dos explosivos plásticos C4 (cerca de 50,7 mil toneladas foram literalmente para os ares) e outros, para as granadas de fragmentação (527 mil toneladas). Só para comparar: o prédio do Banespa, no centro de São Paulo, tem peso estimado em 45,5 mil toneladas e a estátua do Cristo Redentor, no Rio, 1,15 mil toneladas.
Se lhe serve de consolo, saiba que tanto estrago não foi feito assim, de um dia para o outro. A Activision diz que, somadas, as horas dedicadas ao game pela legião de jogadores já passam dos 8 mil anos – bem mais do que o tempo passado desde a invenção da escrita (cerca de 3.400 AC) até hoje. O estrago real, sob muitos aspectos, não é páreo para as barbaridades do mundo virtual – pelo menos, em termos de escala.